CORRER O RISCO DE SER FELIZ

15/11/2015 - A vida é assim, feita de não feitos, repleta de feitos que não lamentaríamos se não os tivéssemos realizados.
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CORRER O RISCO DE SER FELIZ

J.L.BELAS- nov-2015

                Estou ouvindo uns discos antigos. Todos, vinil.

                É interessante como, ao ouvi-los, sinto-me transportado no tempo.

                Estou meio nostálgico e, como viajante, muitas imagens passam por minha cabeça. Algumas boas, outras nem tanto.

                Caminho como que em brumas. Ora tudo claro, ora tudo escuro ou menos nítido.

                Quando a gente faz esta viagem, percebe que o agora sempre foi uma ilusão do ontem.

                O que vejo neste momento, é diferente do que via, imaginava, tempos atrás!..

                Ao continuar “caminhando”, me deparo com muitas imagens e com as sensações que elas despertaram em mim.

                Pessoas, lugares, fantasmas agora. Sentimentos profundos, agora saudades ou leves lembranças.

                E meu coração, antes alegre, agora se entristece ao querer reter aquelas imagens, antes concretas, agora fumaças que se desfazem diante de mim. 

                Ah!! Se pudéssemos prever a vida! Muitos do que deixamos de viver, viveríamos intensamente.         Mas sabemos que isso só se sentirá no futuro, distante do presente que se foi ainda a pouco.

                A vida é assim, feita de não feitos, repleta de feitos que não lamentaríamos se não os tivéssemos realizados.

                É aí que nasce a semente da saudade, da presença da ausência, como alguém nos disse um dia.

                Estou com saudade, estou melancólico, pois sinto a presença da ausência de coisas boas, de momentos fantásticos nos quais me senti em minha plenitude de afeto, quando meu ser se lançava na direção do prazer pleno, sem medir meu próprio limite.

                Músicas, velhas companheiras...  Continentes de minhas lembranças.

                Sinto-me, neste momento, ao ouvi-las, como se estivesse a bordo de uma aeronave, na primeira classe, tomando um bom champanhe e, através da janela, vendo, como em um filme, minha vida, minhas conquistas, minhas perdas, eu.

                O que vejo me alegra, mesmo havendo ali momentos de tristeza.  Alegra-me por perceber que nunca neguei a mim o que meu coração pedia, ainda que pudesse experimentar, às vezes, inicialmente um conflito intenso.  Acreditei que, mesmo contrariando o que sempre me ensinaram como o correto e o bom, poderia ter discernimento para me permitir mudar e criar algo novo na minha trajetória como pessoa.  Creio que, por isso, sempre me senti feliz, embora, muitas vezes tenso e assustado com o novo, mas me deliciando com cada fatia da novidade saudável vivida e descoberta por mim.

                Tenho aprendido que viver é isso: lançar-se e, com isso, correr o risco de ser feliz.

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